dezembro 18, 2014

Scrivener: a ferramenta essencial para o escritor

Scrivener é, como dizem seus criadores, a libertação do caos
Se você está acorrentado à lógica do Word, certamente não entenderá os benefícios que Scrivener tem a oferecer.

No começo, eu mesmo não entendi. Mas depois de uma semana lendo artigos na Web e trabalhando com esse incrível processador de textos, acredite, o Word tornou-se uma pintura na Gruta de Lascaux: ainda tem alguma importância, mas muito limitada.

O programa Word nos acostumou a ver nossos textos como produções isoladas — e não como eles realmente são: criações interdependentes.

Imagine que você está escrevendo um livro dividido em vários capítulos. Que opções de organização o Word lhe oferece? Você pode abrir uma pasta com o nome do seu livro — e incluir nela os capítulos numerados. Ou pode abrir um único arquivo: e escrever seu livro numa longa seqüência.

Pense nessas duas opções.

Imagine você trabalhando num livro — ficção ou não ficção — com 20 capítulos, cada capítulo com 15 ou 30 páginas.

Muito bem. Agora responda:

— Onde estão as anotações que você usa para cada capítulo?

— O que você tem de fazer quando está no Capítulo 19, quer comparar um trecho com o Capítulo 3 e também verificar se a mesma informação não foi repetida no Capítulo 8?

— Quantos arquivos do mesmo capítulo você precisa fazer se quiser escrever versões diferentes do seu trabalho e, depois, compará-las?

— Como você consegue ter uma visão completa do conjunto de sua produção, incluindo a seqüência dos capítulos, o tamanho de cada um, os temas enfocados, as diferentes versões de cada capítulo e, principalmente, os metadados?

Sim, os metadados! Ou seja, todos os trechos em que a personagem C aparece; ou todos os trechos em que a personagem D interage com a personagem A. Ou, se você está escrevendo um ensaio, ter à mão a recorrência de certas idéias — e também a relação delas com outras informações.

As perguntas parecem complicadas apenas por um motivo: você está preso à lógica do Word. Uma lógica linear, que só permite que você pense e escreva como se desenrolasse um imenso rolo, no qual as folhas de papiro ou pergaminho estão emendadas.

A lógica de Scrivener não é linear. E por um simples motivo: ele foi pensado para escritores, para profissionais da escrita — e não apenas para quem precisa produzir um ou mais textos.

Para Scrivener, não existem apenas “textos” ou apenas “arquivos” — mas, sim, projetos.

Quando você abre seu projeto em Scrivener encontra três campos: o “Fichário” (à esquerda), o “Editor” (no centro) e o “Inspetor” (à direita):


No fichário você organiza os capítulos ou os diferentes textos do seu projeto, dividindo-os da forma que considerar melhor. Por exemplo: tenho todos os posts do meu blog num único projeto, seguindo uma primeira grande divisão, por anos — e depois subdivisões por meses.

Na parte inferior do Fichário você encontra a pasta “Pesquisa”, que aceita arquivos de imagem, PDFs e outros textos que possam ajudá-lo de alguma maneira.

No Editor, o lugar em que você escreve, Scrivener oferece três formas de visualização do seu trabalho:

— Um único arquivo:


— Um quadro de cortiça:


— Um esboçador em que você visualiza todos os capítulos numa ordem contínua:


No “Inspetor” você tem todas as notas do capítulo (ou, se preferir, as notas mais gerais do projeto), as referências bibliográficas, as palavras-chave, os metadados (que você pode personalizar como quiser), as imagens de todas as versões de um mesmo capítulo (para que você possa compará-las), além das notas de rodapé e dos comentários que você produz por diferentes motivos.

Há muito, muito mais.

Quando você coloca o ponto final no seu livro, pode exportá-lo com todos os capítulos reunidos na ordem que você desejar (incluindo notas, cabeçalhos, folha de rosto, etc.) E pode exportá-lo como Word, PDF ou um e-book pronto para ser publicado no formato Kindle (além de outras opções).

E se você gosta de escrever sem distrações visuais, pode optar pela “tela cheia”:


Você pode baixar uma versão completa de Scrivener e experimentar o programa durante 30 dias (ele vem com dois tutoriais, um deles autoexplicativo — ambos em inglês, mas numa linguagem clara e direta, que, se você precisar, o tradutor do Google não complicará).

Scrivener, como dizem seus criadores, é a libertação do caos.

11 comentários:

Carla Farinazzi disse...

Nossa, que legal, Rodrigo! Fiquei super interessada, obrigada pela dica!

Claudio Parreira disse...

Baixei aqui. Vou experimentar!

TKS

Rodrigo Gurgel disse...

Uma sugestão, Cláudio: acompanhe, passo a passo, o tutorial. Um abraço!

Rodrigo Gurgel disse...

Espero que você goste, Carla! Carinhoso abraço!

Comendador José Paes de Lucena disse...

Muito obrigado pela excelente dica, Rodrigo.
Um grande abraço!

Rodrigo Gurgel disse...

É um programa incrível, José Paes. Não deixe de fazer todo o tutorial interativo. Um abraço!

Rerisson disse...

Rodrigo,
O programa tem função de salvar os arquivos em formato doc e pdf?
OBrigado.

Rodrigo Gurgel disse...

Rerisson:
"Salvar" como estamos acostumados a fazer no Word, não. Ele "salva" num formato específico do programa. Mas você pode exportar para vários formatos, incluindo PDF, doc, docx, txt, etc. E nada impede que você apenas selecione o texto, copie e cole no Word.

André Catapan disse...

Já tinha ouvido falar do Scrivener há algum tempo, mas nunca tinha dedicado algum tempo ao programa. Após seus comentários, resolvi fazer o download e estudar o tutorial interativo e acredito que seja um excelente software. É claro que a ferramenta não faz o escritor, mas certamente ajuda.
Obrigado Prof. Gurgel! Eu já percebi que meu processo de escrita é muito mais "espiral" do que "linear". Vou passar a usar o Scrivener sempre que for escrever!

Rodrigo Gurgel disse...

Fico feliz por ter ajudado, André. Grande abraço!

Cristian disse...

Boa tarde, Rodrigo! Sou usuário do Scrivener e, naturalmente, um entusiasta do programa. Sempre pesquisando para aprender mais sobre suas infindáveis funções e, assim, parei no seu blog. Sou advogado e, até a leitura deste post, ainda estava preso ao pensamento linear do word, sem me dar conta - criava um arquivo diferente para o mesmo cliente em um mesmo processo, fragmentando em arquivos as diferentes ferramentas para cada petição, quando, na realidade, poderia tê-las todas no mesmo lugar. Tal qual você fez ao arquivar os seus posts, nunca havia me ocorrido até então, apesar de fazê-lo com os arquivos dentro de cada documento. Sensacional. Nada como trocar ideias. Grande abraço.