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setembro 04, 2013
Onde estão os ensaístas ingleses?
Quando
comecei a preparar o curso “A Descoberta do Ensaio”, minha consciência sobre o
isolamento cultural brasileiro ganhou dimensões angustiantes. Sempre reclamei
sobre o fato de Samuel Johnson e William Hazlitt serem ignorados entre nós; e, claro, que
Matthew Arnold, um pouco posterior a esses dois gênios ingleses, representasse
apenas certa sombra incômoda numa intelectualidade devastada pelo marxismo e
pelos estruturalistas franceses. Já havia lido, com prazer, Hume e Carlyle – o primeiro,
certamente não por causa do seu ceticismo. Mas, então, ao selecionar os autores
que enfocaria no curso, fui me lembrando de Charles Lamb, Ruskin, Walter Pater,
Macaulay, Fielding, Dryden, Cowley, Froude, Bagehot, Coleridge... e ainda Oliver
Goldsmith e Thomas De Quincey... Lista interminável de magníficos ensaístas
ingleses... desconhecidos, completamente desconhecidos no Brasil. Vejam, por
exemplo, De Quincey: qualquer vanguardista de meia tigela já leu, é claro, “Confessions
of an English Opium Eater”, traduzido, creio que pela Brasiliense, há algumas
décadas – afinal, tudo que nos rebaixar ao underground
é bem visto entre nós... De Quincey, no entanto, é muito mais que “Opium”. Há
uma grave lacuna a preencher na nossa cultura. Lacuna humilhante, que demorará
séculos para ser apagada, infelizmente.
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