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novembro 20, 2014

O pessimismo, remédio ideal para o populismo

O ensaio de Paulo Prado é, como dizia Ortega y Gasset, "uma pupila vigilante aberta sobre a vida"
No Jornal Rascunho deste mês, escrevo sobre Retrato do Brasil — ensaio sobre a tristeza brasileira, de Paulo Prado, livro que pertence à tradição montaigniana, isto é, anseia examinar as questões da realidade filtrando-as numa visão pessoal, repleta de associações inesperadas e problematizadoras.

Como afirmo em meu texto, não se deve esperar, portanto, desse trabalho, interpretações que se pretendam definitivas — mas, sim, intuições capazes de produzir no leitor o mesmo desejo que motivou o ensaísta: não aceitar passivamente sua realidade; ou, como dizia Ortega y Gasset ao comentar as características do ensaio, ser “uma pupila vigilante aberta sobre a vida”.

O pessimismo de Paulo Prado, é verdade, vibra em todo o livro. Mas, hoje, passadas quase duas décadas de governos populistas prontos a comemorar a ignorância e tratar vícios como virtudes heróicas, uma boa dose de visão pessimista poderia garantir um mínimo de realismo ao Brasil.

novembro 15, 2014

Literatura não é geração espontânea

Ler bons escritores e aprender com eles não significa copiá-los a vida inteira
Entre 2011 e 2012, um jovem amigo me procurou para falar sobre o curso que havia feito: um workshop de criação literária, cujo professor era — ainda é — um escritor de fama razoável. Notei, ao telefone, que havia certa urgência na voz dele; e marcamos um café para o dia seguinte.

Meu amigo estava angustiado. Como todo o jovem que escreve e deseja se aperfeiçoar, ele queria mais do que um curso: queria um norte, alguém experiente que lhe dissesse “siga por aqui”. Mas o workshop, que havia durado 4 horas, fora decepcionante.

Logo que sentamos à mesa, ele disse: “Sabe como o curso começou? Sabe qual foi a primeira coisa que ele falou?”. Eu respondi: “O quê?”. Meu amigo, com os olhos saltando e a boca cheia de indignação: “Ele foi para o meio da classe, ergueu os braços e falou como se fosse Moisés no alto do Monte Sinai: — Esqueçam tudo que vocês leram até hoje! Esqueçam todos os escritores que existiram antes de vocês! Vocês são os primeiros escritores na face da Terra! E hoje vão aprender que não existe, nunca existiu e jamais existirá um escritor melhor do que vocês!”. Eu já estava rindo, mas respondi: “Não acredito...”.

Os detalhes do cursinho, alguns insanos, não cabem aqui. Mas depois do café, no metrô de volta para casa, comecei a pensar em tudo. Não era possível que um escritor se dispusesse a começar seu workshop enganando os alunos. Aquela proclamação inicial não havia sido um conjunto de frases de efeito — ele realmente insistiu que os jovens deveriam parar de ler, pois “não podiam seguir modelos”.

Quando desci na estação perto de casa, já havia planejado o meu próprio workshop. Foi assim que nasceu o curso Bases da Criação Literária e todos os outros: com o objetivo de ir na contramão do que se ensina atualmente; mostrar aos alunos que não é possível começar do nada; que literatura não é geração espontânea; que ler os bons escritores e aprender com eles não significa copiá-los a vida inteira. E, principalmente, que existem forças, elementos que estão sempre presentes quando escrevemos — e ter consciência deles amplia o poder do escritor sobre o seu próprio processo criativo.

janeiro 08, 2014

“Nada pode destruir o bom escritor” — William Faulkner

Trechos antológicos da entrevista que Faulkner concedeu a Jean Stein Vanden Heuvel, da Paris Review, em 1956:

Como se tornar um bom romancista

Noventa e nove por cento de talento... noventa e nove por cento de disciplina... noventa e nove por cento de trabalho. Não se deve estar nunca satisfeito com o que se faz. Nunca está tão bom quanto seria possível. Sempre sonhe e mire acima daquilo que você sabe que pode fazer. Não se preocupe apenas em ser melhor que os seus contemporâneos ou predecessores. Tente ser melhor que você mesmo.

A experiência do fracasso

Todos nós fracassamos em realizar nosso sonho de perfeição. De modo que estimo a nós todos com base no nosso esplêndido fracasso em realizar o impossível. Na minha opinião, se eu pudesse escrever toda a minha obra de novo, tenho certeza de que faria melhor, o que é a condição mais saudável para um artista. É por isso que ele continua trabalhando, tentando, tentando de novo; ele acredita que dessa vez irá conseguir, irá realizar o que quer. É claro que não conseguirá, é por isso que essa condição é saudável.

Sucesso, adversidade e pobreza

O escritor não precisa de liberdade econômica. Tudo de que precisa é lápis e papel. Eu nunca soube que algo bom em literatura tivesse se originado da aceitação de uma oferta gratuita de dinheiro. O bom escritor nunca pede auxílio a uma instituição cultural. Está ocupado demais escrevendo alguma coisa. Se não é um escritor de primeira classe, ilude-se dizendo que não tem tempo ou liberdade econômica. [...] As pessoas na verdade têm medo de descobrir que podem suportar muita adversidade e pobreza. Têm medo de descobrir que são mais resistentes do que pensam. Nada pode destruir o bom escritor. A única coisa que pode alterar o bom escritor é a morte. Os bons não têm tempo para pensar no sucesso ou em ganhar dinheiro.

dezembro 13, 2013

A hora para reler Eliot

Por que voltar aos ensaios de T. S. Eliot? Foi o que me perguntei quando selecionava os textos que pretendia analisar no curso “A Descoberta do Ensaio”. Os trechos abaixo, retirados de “O que é um clássico?” – originalmente escrito como um discurso à Virgil Society, proferido em 1944 –, respondem à pergunta; e também corroboram o que Russell Kirk disse a respeito de Eliot: “É possível que em uma distante época futura, quando a história do século XX parecer bárbara e desconcertante como as crônicas da Escócia medieval, a aguda perspicácia de Eliot deva ser lembrada como a luz mais clara que resistiu às trevas universais”. Pensamento que me leva a repetir o que afirmo a alguns amigos: esta é a hora para reler Eliot.

Evolução da língua e maturidade da literatura

A maturidade de uma literatura é um reflexo da sociedade dentro da qual ela se manifesta: um autor individual – especialmente Shakespeare e Virgílio – pode fazer muito para desenvolver sua língua, mas não pode conduzir essa língua à maturidade a menos que a obra de seus antecessores a tenha preparado para seu retoque final. Por conseguinte, uma literatura amadurecida tem uma história atrás de si – uma história que não é apenas uma crônica, um acúmulo de manuscritos e textos dessa espécie, mas uma ordenada, embora inconsciente, evolução de uma língua capaz de realizar suas próprias potencialidades dentro de suas próprias limitações.

Criatividade

A persistência da criatividade em qualquer povo consiste [...] na manutenção de um equilíbrio coletivo entre a tradição no sentido mais amplo – a personalidade coletiva, por assim dizer, consubstanciada na literatura do passado – e a originalidade da geração que se encontra viva.

Presente, passado e futuro

[...] Enquanto estivermos dentro de uma literatura, enquanto falarmos a mesma língua e tivermos fundamentalmente a mesma cultura que produziu a literatura do passado, desejaremos conservar duas coisas: o orgulho de que nossa literatura já se cumpriu e a crença de que pode ainda cumprir-se no futuro. Se deixássemos de acreditar no futuro, o passado deixaria de ser plenamente o nosso passado: tornar-se-ia o passado de uma civilização morta.

Nefasto provincianismo
Em nossa época, quando os homens parecem mais do que propensos a confundir sabedoria com conhecimento, e conhecimento com informação, e a tentar resolver problemas da vida em termos de engenharia, começa a emergir na existência uma nova espécie de provincianismo que talvez mereça um novo nome. É um provincianismo, não de espaço, mas de tempo, aquele para o qual a história é simplesmente a crônica dos projetos humanos que têm estado a serviço de suas reviravoltas e que foram reduzidos à sucata, aquele para o qual o mundo constitui a propriedade exclusiva dos vivos, a propriedade da qual os mortos não partilham.

novembro 18, 2013

Para iniciar o projeto Relendo os Clássicos, um curso sobre Joseph Conrad

Como anunciei aqui em agosto, já está no ar o primeiro curso da série “Relendo os Clássicos” – e começamos com Joseph Conrad. São 4 aulas, em que falo sobre o romance O Agente Secreto, a novela O Coração da Treva e os contos Mocidade e O Parceiro Secreto. As inscrições podem ser feitas na página do Cedet On-line, na qual se encontram informações detalhadas.

outubro 30, 2013

O que é um gênio?

Boris Pasternak
A definição é de Isaiah Berlin, ao recordar, no ensaio “Conversas com Akhmatova e Pasternak”, de 1980, os encontros que mantivera com esses escritores em 1945 e 1956. Esse texto será o tema da aula de hoje no curso “A Descoberta do Ensaio”:
 
“[...] Ele falava formulando magníficos períodos em câmara lenta, com ocasionais torrentes intensas de palavras. Sua fala freqüentemente transbordava as margens da estrutura gramatical – passagens lúcidas eram seguidas por imagens loucas, mas sempre maravilhosamente vívidas e concretas –, e essas poderiam ser seguidas por palavras obscuras, quando era difícil acompanhá-lo – e então de repente ele voltava a entrar numa clareira. Seu discurso era sempre o de um poeta, assim como seus escritos. Alguém disse certa vez que há poetas que são poetas quando escrevem poesia e prosadores quando escrevem prosa; outros são poetas em tudo o que escrevem. Pasternak era um poeta de gênio em tudo que fazia e era. Quanto a sua conversa, nem me atrevo a descrever sua qualidade. Só conheci uma outra pessoa que falasse como ele: Virginia Woolf, que fazia a mente do interlocutor disparar assim como ele conseguia fazer, obliterando no ouvinte a visão normal da realidade do mesmo modo inebriante e, às vezes, estarrecedor.
 
Uso a palavra ‘gênio’ de caso pensado. Às vezes me perguntam o que quero dizer com esse termo impreciso, mas altamente evocativo. Em resposta, só posso afirmar o seguinte: perguntaram certa vez ao bailarino Nijinsk como ele conseguia saltar tão alto. Parece que ele teria respondido que não via grande problema nisso. A maioria das pessoas, quando pulava no ar, descia à terra imediatamente. ‘Por que descer imediatamente? Pode-se ficar um pouco no ar antes de retornar à terra, por que não?’, dizem ter sido a resposta. Um dos critérios para definir o gênio me parece ser precisamente isto: o poder de fazer algo perfeitamente simples e visível, que as pessoas comuns não conseguem realizar e sabem que não podem fazer – nem sabem como é realizado, nem por que não podem nem sequer imaginar como fazer. Pasternak às vezes falava em grandes saltos; seu emprego das palavras era o mais imaginativo que já encontrei; arrebatado e muito comovente. Há sem dúvida muitas variedades de gênio literário: Eliot, Joyce, Yeats, Auden, Russell (pela minha experiência) não falavam assim. [...]”

outubro 22, 2013

Literatura, crítica literária e muito mais

Nos últimos vinte dias, concedi três entrevistas, nas quais falo sobre crítica literária, meus cursos on-line, ensino de literatura nas escolas e nas faculdades, e-books, poesia, escrita criativa e muito mais. Para os que desejarem conhecer um pouco de minhas idéias, estes são os links:

outubro 07, 2013

Como pensa um esquerdista?

Você deseja entender como pensa um esquerdista? Quer compreender a mentalidade revolucionária? Então, leia O Agente Secreto, de Joseph Conrad, publicado em 1907. Baseado em fatos reais – um atentado anarquista ocorrido em Londres, no ano de 1894, e que provocou a morte de seu autor, o francês Marcial Bourdin –, trata-se de um dos grandes romances políticos da literatura ocidental, comparável a O vermelho e o negro, de Stendhal, Os demônios, de Dostoiévski, Princesa Casamassima, de Henry James, ou O Zero e o Infinito, de Artur Koestler. Conrad faz uma análise implacável da “sangrenta futilidade” e da “irracionalidade malévola” dos movimentos revolucionários – e nos mostra como “o caminho da revolução, mesmo a mais justificável, é preparado por impulsos pessoais disfarçados em credos”. 

Esse e outros textos de Conrad serão analisados por mim no projeto “Relendo os clássicos”, sobre o qual já falei neste blog e que logo estará disponível no Cedet On-line.

setembro 04, 2013

Onde estão os ensaístas ingleses?

Quando comecei a preparar o curso “A Descoberta do Ensaio”, minha consciência sobre o isolamento cultural brasileiro ganhou dimensões angustiantes. Sempre reclamei sobre o fato de Samuel Johnson e William Hazlitt serem ignorados entre nós; e, claro, que Matthew Arnold, um pouco posterior a esses dois gênios ingleses, representasse apenas certa sombra incômoda numa intelectualidade devastada pelo marxismo e pelos estruturalistas franceses. Já havia lido, com prazer, Hume e Carlyle – o primeiro, certamente não por causa do seu ceticismo. Mas, então, ao selecionar os autores que enfocaria no curso, fui me lembrando de Charles Lamb, Ruskin, Walter Pater, Macaulay, Fielding, Dryden, Cowley, Froude, Bagehot, Coleridge... e ainda Oliver Goldsmith e Thomas De Quincey... Lista interminável de magníficos ensaístas ingleses... desconhecidos, completamente desconhecidos no Brasil. Vejam, por exemplo, De Quincey: qualquer vanguardista de meia tigela já leu, é claro, “Confessions of an English Opium Eater”, traduzido, creio que pela Brasiliense, há algumas décadas – afinal, tudo que nos rebaixar ao underground é bem visto entre nós... De Quincey, no entanto, é muito mais que “Opium”. Há uma grave lacuna a preencher na nossa cultura. Lacuna humilhante, que demorará séculos para ser apagada, infelizmente.

agosto 21, 2013

Cursos on-line de literatura – rompendo com o lugar-comum

Meu projeto no Cedet On-line tem, desde o início, a mesma estratégia: romper com os lugares-comuns que hoje são disseminados em cursos e workshops.

É um trabalho à contracorrente, no qual abandono as receitas em voga, ensino literatura sem jargões acadêmicos, sem discursos herméticos, repetindo o que faço na crítica literária: tratar a literatura como “uma das vias régias que conduzem à realização pessoal de cada um”, para usar o lúcido pensamento de Tzvetan Todorov.

A parceria já rendeu os cursos “Bases da Criação Literária”, “Prática de Leitura e Formação do Estilo” e “A Descoberta do Ensaio”, que começamos na semana passada. Os alunos não são obrigados a assistir às aulas ao vivo, pois a Internet apresenta, dentre outros, um aspecto extremamente positivo: aulas e material didático ficam gravados no site – e os cursos podem ser feitos a qualquer momento.

Novos cursos virão, para escritores e leitores, para quem deseja aperfeiçoar a técnica de escrita, conhecer literatura ou apenas ler com maior profundidade. E sem jamais tratar a obra literária como insignificante exemplo de visões formalistas, niilistas ou solipsistas – mas inserindo-a sempre na totalidade da experiência humana.

agosto 13, 2013

“O escritor é uma espécie de jejuador perpétuo”


Poucos, na literatura brasileira, compreenderam os sábios conselhos de Augusto Meyer em sua Epístola a Porfírio:
 
“[...] Aprender a escrever é aprender a escolher, cheirar, pesar, medir, sacudir antes de usar, apalpar, comparar e afinal rejeitar muito mais que adotar linguarudas famílias de palavras, que atravancam a memória e impedem que a gente se ouça um pouco, nos raros momentos de diálogo e murmúrio subjetivo. Para mim, o escritor é uma espécie de jejuador perpétuo: condenado a transformar toda a exuberância da vida em dois ou três compassos da sua música interior, inatingível na essência mais profunda, jejua à mesa posta dos seus desejos, castigando com cilício as luxúrias do verbo. [...]”.

agosto 12, 2013

Um curso para conhecer o “centauro dos gêneros”


A partir da próxima quarta-feira, dia 14, estudaremos treze importantes ensaístas, para aprender com eles, por meio da leitura de seus textos, como podemos aperfeiçoar o nosso próprio estilo de escrever. Perceberemos que o caráter híbrido do ensaio – entre literatura e tese; entre reflexão pessoal e vontade de estilo – é exatamente a sua força. Por esse motivo Alfonso Reyes, grande intelectual mexicano, definiu o ensaio como o “centauro dos gêneros”.

O curso será ministrado via Internet. As inscrições estão abertas. Aulas e material de leitura ficarão gravados, disponíveis para os alunos que não possam acompanhar a transmissão ao vivo. Todos os detalhes podem ser obtidos no site do Cedet, por telefone (19-3249-80) ou por e-mail: livros@cedet.com.br.

agosto 04, 2013

Tempo, vida, literatura – e “A Descoberta do Ensaio”

Correções de Montaigne em uma página dos "Ensaios"
Somos aqueles que tememos tudo, como se fôssemos mortais, e desejamos tudo, como se fôssemos imortais – são as palavras de Sêneca no ensaio “Sobre a brevidade da vida”. E ele completa dizendo que é exígua a parte da existência que realmente vivemos; e que todo o espaço restante não é vida, mas apenas tempo.

A escrita, a produção literária em seus diferentes gêneros, é uma das respostas que o homem encontrou para não abreviar ainda mais sua vida, para não desperdiçá-la. Se o tempo da vida dos grandes escritores, dos pensadores que deixaram seu legado, continua a render, a proporcionar o melhor dos lucros às gerações que os sucederam, é porque, antes de tudo, eles administraram bem o seu próprio tempo – e o dedicaram ao que é essencial.

Revisitar, reler, estudar esses mestres que souberam “colher o dia” é uma forma de, aprendendo com eles, não só dominar a técnica da escrita, criar um estilo, expressar as próprias idéias, mas também “aproveitar o momento”, usar o tempo para o que é realmente substancial.

Esse é um dos objetivos do curso que vamos começar no próximo dia 14 de agosto: “A Descoberta do Ensaio”. Ao ler grandes mestres da ensaística, estudaremos os procedimentos estilísticos que eles utilizaram para se expressar, aprenderemos como aperfeiçoar nosso estilo de escrever e descobriremos que “perder” tempo com a literatura significa, na verdade, aproveitar a vida, dedicá-la ao que é realmente importante. As inscrições estão abertas.

junho 25, 2013

Novo curso: A Descoberta do Ensaio

Neste novo curso, que começa em agosto, estudaremos o ensaio, gênero literário maleável, que oferece incrível liberdade de trabalho.

Nosso método de estudo consistirá na leitura crítica de 13 ensaístas, com o objetivo de conhecer procedimentos estilísticos diversos e reunir elementos que contribuam à formação do estilo pessoal de cada aluno. Serão, ao todo, 14 aulas.

Ao final do curso, proporei um exercício de redação – e comentarei, por escrito, os trabalhos apresentados. O Cedet fornecerá um certificado de participação para quem cumprir essa atividade.

As inscrições estão abertas – e podem ser feitas por telefone (19-3249-80) ou por e-mail: livros@cedet.com.br.

Vejam a ementa:

1ª aula: O ensaio, forma que se recusa a ser exaustiva.
2ª aula: Nascimento do ensaio moderno – Michel de Montaigne.
3ª aula: A busca da totalidade – Santa Teresa D’Ávila.
4ª aula: Temas ou pretextos para um ensaio – Charles Lamb.
5ª aula: Reflexões sobre a formação do próprio “eu” – Edmund Wilson.
6ª aula: A crítica literária muito além da obra analisada – Erich Auerbach.
7ª aula: Reflexões sobre a própria obra – Henry James.
8ª aula: Quando a oratória não é apenas retórica – Jorge Luis Borges.
9ª aula: Crítica social: desnudando as circunstâncias – Olavo de Carvalho.
10ª aula: O impacto do encontro – Isaiah Berlin.
11ª aula: Ensaio e jornalismo – Joseph Roth.
12ª aula: A prosa poética como locus amoenus – Claudio Magris.
13ª aula: A recusa da irreflexão: desconfiar das ideologias – Russell Kirk.
14ª aula: Reler os clássicos – T. S. Eliot.

Os textos a serem estudados em cada aula permanecerão disponíveis, com antecedência, na página do Cedet, na qual se encontram também informações sobre preço, formas de pagamento e inscrições.
 
Os cursos anteriores – “Bases da Criação Literária” e “Prática de Leitura e Formação do Estilo” – ainda podem ser feitos por quem se interessar, pois as aulas foram gravadas.