Mostrando postagens com marcador Escritores e cristianismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Escritores e cristianismo. Mostrar todas as postagens

abril 28, 2012

A ditadura do pensamento débil e a Igreja


“Sua mera existência [da Igreja Católica] como ‘metarrelato’, como visão densa do mundo, que utiliza ainda um conceito forte de verdade objetiva, resulta intolerável numa atmosfera intelectual presidida pelo pensamento débil, pela desconstrução pós-moderna, pela ‘ditadura do relativismo’ e pela convicção de que a crença em absolutos é sinônimo de fundamentalismo e intolerância.”

(in Nueva izquierda y Cristianismo, de Francisco José Contreras y Diego Poole)

abril 16, 2012

A reconquista da alegria


Pensamentos de Bento XVI extraídos do excelente artigo de Andrea Monda, “Un Papa raro: con ‘sentido del humor’”:

“Toda a minha vida está atravessada sempre por um fio condutor que é o seguinte: o cristianismo da alegria alarga os horizontes.”

“Se hoje a humildade foi desacreditada como virtude, não será de todo supérfluo observar que esse descrédito coincide com a grande regressão da alegria na literatura e na filosofia contemporâneas.”

“O elemento constitutivo do cristianismo é a alegria. Alegria não no sentido de uma diversão superficial, cujo fundo pode ser também a desesperação.”

“A alegria é o signo da graça. Quem está profundamente sereno, quem sofreu sem por isso perder a alegria, esse não está longe do Deus do Evangelho, do Espírito de Deus, que é o Espírito da alegria eterna.”

setembro 08, 2011

A bondade é mais interessante que a maldade

Uma frase da escritora Anne Rice, publicada por certo amigo no Facebook, revela, de maneira indireta, qual o senso comum destes dias, inclusive entre escritores. Para Rice, “é triste que não possamos fazer a bondade ser tão interessante quanto a maldade”. A autora, conhecida por suas tramas de vampirismo – e que teria voltado à Igreja Católica em 1998 –, mostra-se melancólica em relação ao fato de a temática do bem não produzir tantos adeptos quanto a literatura que narra o mal. Teríamos nos acostumado à maldade? E estaríamos realmente impedidos de transformar a bondade num tema capaz de despertar interesse?

Esse é o problema da rápida reflexão de Anne Rice: ela só exprime o senso comum. Pois, como respondi a meu amigo, a bondade é mais interessante que a maldade. A verdade parece ser o contrário apenas porque somos massacrados – do noticiário à literatura – por todas as formas de mal, dia após dia. Nossa cultura niilista, devota do pessimismo, insiste em nos apresentar o mal como a regra de todos os homens – e exatamente por esse motivo nada, absolutamente nada, pode ser mais entediante do que a maldade.

Se o homem contemporâneo é descrito por muitos como a figura do egoísmo, do vazio e da frivolidade, se a vilania tornou-se vitoriosa na ficção, em parte da poesia e, se acreditarmos no que diz a mídia, também na realidade, isto se deve ao cinismo que a cultura erudita do século XX elevou à categoria de deus. Mas se dermos ao homem enfadado pela maldade um só gesto, uma só página de bondade, ele se sentirá renovado, quando não desorientado, pois a bondade – neste mundo que aparentemente cultua o mal – inquieta, perturba, estimula.

É preciso, portanto, abandonar o senso comum dos nossos intelectuais, deixar de ser nietzschianos de ouvido, virar no avesso a frase de Anne Rice: o mal apenas parece mais interessante que a bondade – e por uma só razão: ele é amplamente difundido, propagandeado. A intelligentsia e os formadores de opinião colocaram o homem no atoleiro moral – e não querem que ele saia daí. Parafraseando Rice, é triste que nossos escritores não tenham coragem para mostrar a verdade: que só o bem é verdadeiramente interessante – e que nobreza, generosidade, honradez e benevolência são as únicas forças capazes de libertar o homem do tédio em que pretendem aprisioná-lo.

julho 30, 2011

Pablo Blanco Sarto e o pensamento de Bento XVI

Num país como o nosso, no qual a intelligentsia está, em sua quase absoluta maioria, apartada de qualquer preocupação metafísica, mas se tornou devota das suas próprias religiões marxistas ou niilistas, do relativismo e da crença, tão estreita quanto refutável, de que exclusivamente a ciência pode apresentar respostas aos anseios humanos; neste país, no qual grande parte da produção teológica católica se dedica a meras invencionices sociológicas e se deixa corromper por um secularismo nefasto, diluindo suas reflexões em nome do populismo, da subserviência a políticas de esquerda ou, pior, do desejo consciente de corromper os ensinamentos da Tradição e do Magistério; neste país, em que até mesmo o fato de alguém se autodefinir como católico tornou-se, nos supostos meios intelectuais, motivo de surpresa, mofa ou indignação; num país com tais características, a oportunidade de passar quatro noites estudando a vida e a obra do teólogo Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, surge – perdoem-me o chavão – como um oásis. E foi exatamente desse oásis que pude desfrutar, esta semana, graças à iniciativa do Instituto Internacional de Ciências Sociais, que trouxe ao Brasil o filólogo, teólogo e filósofo padre Pablo Blanco Sarto, professor adjunto do Departamento de Teologia Sistemática da Universidade de Navarra, criador do Foro de Estudos Joseph Ratzinger e autor de vários livros sobre Bento XVI, entre eles, os dois mais recentes: Benedicto XVI – el Papa alemán e La teologia de Joseph Ratzinger: una introducción.

É impossível descrever, sinto muito, as quatro noites de curso, o que demandaria recuperar minhas anotações, mas deixo, a seguir, longa entrevista, em duas partes, com o ilustre professor – pitada do que foi esse período durante o qual nos dedicamos a conhecer melhor o pensamento de um teólogo preparado, durante toda a vida, para oferecer respostas à perplexidade do mundo que, esvaziado de ética e transcendência, precisa voltar a reconhecer Cristo não como uma divindade entre tantas outras ou um profeta assassinado pelo imperialismo romano, mas como centro da história, verdadeiro e único Logos, ao qual devemos corresponder não só com nossa fé, mas com nosso próprio logos, com nossa razão. Como afirma Pablo Blanco Sarto, analisando o pensamento de Bento XVI, “trata-se de fazer alcançar uma nova síntese da modernidade com as melhores contribuições do cristianismo; uma nova síntese entre fé e razão que dê lugar a um Iluminismo pós-moderno”, pois “só a verdade nos torna livres, e só com a razão pode-se alcançar a paz e o respeito à natureza e à dignidade da pessoa”.


junho 18, 2011

Conversão


“A conversão é como sair, através de uma chaminé, de um mundo de espelhos onde tudo é uma caricatura absurda, para entrar no verdadeiro mundo criado por Deus; é quando, então, começa o delicioso processo de explorá-lo sem limites” – Evelyn Waugh