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abril 05, 2010

O ingrato trabalho do tradutor na lusofonia

Desidério Murcho, que não passa uma semana sem publicar comentários instigantes no blog Crítica, escreve hoje um ótimo texto em defesa de Denise Bottmann e sua corajosa campanha contra o plágio de traduções no Brasil. Levando o problema para o âmbito dos países de língua portuguesa, sem excluir Portugal, Murcho acerta na mosca: “na lusofonia, o tradutor não é considerado um autor, o que é inaceitável. Os nomes dos tradutores de países culturalmente mais sofisticados vêm na capa dos livros, e os tradutores têm direitos intelectuais sobre a sua tradução: são co-autores, juntamente com o autor original. É um trabalho intelectual criativo, único, irrepetível. E que dá muito, muito trabalho, para ser bem feito. É inaceitável usar o trabalho de um tradutor, eliminando-lhe o direito de autoria”.

Aos interessados em acompanhar o debate, sugiro que leiam o blog de Denise, Não gosto de plágio, e, caso se sensibilizem com sua causa, assinem o Manifesto de Apoio que conta com quase três mil assinaturas. Como já afirmei aqui em outras oportunidades, Denise Bottmann presta inestimável serviço à cultura brasileira, ao mercado editorial e a todos nós, que amamos os livros.

janeiro 04, 2010

O mito da participação política

O professor Desidério Murcho nos oferece novas reflexões provocadoras. Em seu mais recente artigo, Murcho pergunta se não estaríamos chegando ao fim da política, um tempo no qual as sociedades mais evoluídas – o professor não se refere, portanto, aos países que vivem sob os regimes populistas de Lula, Chávez e Morales, por exemplo – começam a perceber que os processos democráticos são apenas grandes ilusões. O que vocês acham?

Este é um dos bons trechos do artigo:

Um interesse intenso pela vida política só faz sentido para a generalidade das pessoas quando o conforto da sua vida privada está em risco, ou quando têm a esperança de que uma mudança política terá resultados importantes para a qualidade da sua vida privada. A partir do momento em que o barco está no bom caminho, digamos assim, as pessoas desinteressam-se. E penso que se não fosse a retórica da cidadania a generalidade das pessoas assumiria o seu interesse meramente instrumental na política. A questão é: o que há de errado nessa atitude? Usando a metáfora da República de Platão, defender a democracia é defender que toda a gente num navio deve ir dar dicas ao capitão sobre a maneira de manobrar o navio. Platão argumentava que isto é uma tolice porque a generalidade das pessoas não sabe manobrar navios. O pensamento democrático fica horrorizado com isto e insiste na rotatividade política e na participação aristotélica de todos nas manobras, ainda que indirectamente, através do voto e da imprensa livre. Mas aparentemente Platão conhecia melhor a natureza humana; não se trata de impedir toda a gente de mandar bocas sobre as manobras do navio. Trata-se, ao invés, de a generalidade das pessoas não estar interessada nisso — desde que o capitão demonstre a sua competência.

dezembro 15, 2009

Lutar contra a vida frívola

Desidério Murcho está sempre a propor reflexões instigantes, como a publicada hoje, da qual extraio um trecho que colocarei em local bem visível no meu escritório:

A vida de praticamente todos os artistas, cientistas ou filósofos é um teste contínuo à força de vontade, uma luta constante contra todos os obstáculos das frivolidades do dia-a-dia, que nos roubam tempo e tornam mais fácil não fazer o que mais valorizamos.

dezembro 07, 2009

Ficção científica e mundividência cósmica

O professor Desidério Murcho, da Universidade Federal de Ouro Preto, sempre nos oferece reflexões instigantes. Vejam, por exemplo, este trecho de seu artigo “Azar cósmico e o futuro pós-humano”:

O sonho de explorar outros planetas carece de realismo. Mesmo que seja possível, é uma possibilidade de tal modo remota que não tem poder motivador. Isto deixa-nos, num certo sentido, onde sempre estivemos. Deixa-nos no provincianismo das nossas preocupações mesquinhas, que nos faz imaginar realidades distantes, na ficção científica, só para voltarmos a falar de nós mesmos e dos nossos problemas: guerra, discriminação, dominação, opressão das hierarquias, facciosismo, cegueira. O sonho que mais vale a pena sonhar, em ficção científica, é assim o domínio das tecnologias genéticas, que nos permitam ter bebés mais inteligentes, mais sensatos — menos humanos, num certo sentido. Se a humanidade é o que tem mostrado ao longo dos milénios — exploração dos fracos, frivolidade, injustiça, provincianismo — talvez valha a pena sonhar com um futuro pós-humano, em que os nossos descendentes, mais inteligentes e sensatos, possam fundar uma sociedade que, ao contrário de todas as sociedades humanas, não seja uma vergonha cósmica.

A íntegra do artigo pode ser lida aqui.