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agosto 16, 2013

CRITICON: críticos que não têm medo de julgar


Cristiano Ramos teve a idéia, convidou colegas de ofício, criou o site e assumiu o cansativo trabalho de editar nossos textos: assim nasceu CRITICON, projeto que reúne críticos literários com algumas afinidades: nada de acariciar cocurutos de escritores, nada de chamar de ótimo o que é medíocre, nada de temer a honrosa tarefa de julgar.
 
Temos estilos diferentes, pensamentos diferentes, valores diferentes – mas estamos irmanados pela crítica humanista, avessa ao compadrio; e pela rejeição aos dogmatismos teóricos, pretensamente científicos. Como afirmava José Guilherme Merquior, citado por Cristiano Ramos no texto de apresentação do site, “temos coisa melhor para fazer do que permitir que nosso pensamento e sensibilidade se escravizem a uma sovada e infundada ideologia de negação e desespero”.
 
Com vocês, amigos e leitores, CRITICON, reunindo Cristiano Ramos, Eduardo Cesar Maia, Fabio Silvestre Cardoso, Marcos Pasche, Peron Rios e Rodrigo Gurgel.

maio 06, 2013

Contra a mornidão de certa crítica literária

Diante dos melindrosos e ressentidos, que só admitem crítica literária sem julgamento – ou seja, que desejam transformar a crítica literária num exercício anódino ou meramente confortador –, devo lembrar um dos bons trechos de Álvaro Lins: “Julgar é um testemunho da dignidade da crítica. Ela não fica bem nas mãos dos conformistas, dos frágeis, dos amáveis, dos indistintos, dos suaves, dos incolores, dos frívolos, dos snobs”. Aos interessados em saber o motivo deste post, vale a pena ler a análise correta e corajosa que Cristiano Ramos faz do livro Tangolomango, de Raimundo Carrero, e que tem provocado a ira dos adeptos da cordialidade brasileira, sempre prontos a distribuir lisonjas, servilismo e outros afagos.

abril 27, 2013

A luta contra a mesmice

Vozes dissonantes são sempre bem-vindas neste mar de bajulações, hermetismos e lugares-comuns em que se transformou a crítica literária brasileira.

Neste mês de abril, ao ler, no Rascunho, “Sobraram apenas os óculos e o bigode”, ensaio no qual Marcos Pasche desconstrói Paulo Leminski, percebi, com alegria, que as coisas realmente começam a mudar. Sentimento, aliás, que já havia experimentado com Cristiano Ramos, que, no ensaio “O curioso caso de José Lins do Rego” (partes 1 e 2), rebate com vigor a injusta depreciação crítica do romancista paraibano.

Sucede que, em meio a trabalhos e leituras, passei por cima da coletânea de críticas que Marcos Pasche publicou – De pedra e de carne (Editora Confraria do Vento) – e teve a gentileza de me enviar. Só hoje uni o sanguinário autor do ensaio sobre Leminski ao nome que está na capa do livro. E, numa passada de olhos, encontrei no volume, para minha alegria, ao menos dois outros textos que recomendo a leitura: “Na vitrine do shopping” e “Com rigor e com afeto”. O primeiro, publicado no Rascunho sob o título de “Perto do tempo, longe da arte”, demole a poesia de Fabrício Corsaletti – confirmando o que Luis Dolhnikoff (outra boa voz dissonante) já havia percebido e eu próprio afirmara, mas referindo-me à prosa desse que é mais um dos tenros queridinhos da literatura nacional.

Quanto ao segundo ensaio, “Com rigor e com afeto”, trata-se da entusiasmada análise de um livro que deveria ser leitura obrigatória em todas as nossas faculdades de Letras: A literatura em perigo, no qual Tzvetan Todorov faz a síntese do que começou a perceber em Critique de la critique, de 1984, não por acaso nunca traduzido no Brasil, onde os acadêmicos preferem acreditar – comportamento, aliás, bem cômodo, para não dizer desonesto – que Todorov parou de escrever em 1971, ao publicar A poética da prosa, obra ultrapassada e, sob vários aspectos, renegada pelo autor.
 
Este post, contudo, não pretende assumir, nas últimas linhas, um tom pessimista. Não. O objetivo é exatamente o de comemorar as vozes críticas que começam a surgir – aliadas, cada uma a seu modo, na luta contra a mesmice.