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maio 19, 2012

Como corromper o pensamento de René Girard


Nesta entrevista, entrevistador e entrevistado, usando palavras melífluas, destilam corrupção: passo a passo, corrompem o pensamento de René Girard – e, pior, querem manipular Girard para corromper a Igreja; querem instrumentalizar Girard para transformar a Igreja no que eles desejam, no seu projeto particular e mesquinho. Como já afirmei aqui, eles querem, de Girard, apenas o que pode servir às suas ideias corruptoras, mas não querem a verdade de Girard – e a falsificam.

maio 17, 2012

A coragem de Jean Daniélou, cardeal jesuíta


Minha primeira ideia foi dar a este post um título provocativo – A crise dos jesuítas na América Latina, Parte 2 –, pois ele é, sob muitos aspectos, uma continuação do texto que publiquei no início deste mês, repercutindo, com informações sobre alguns dos jesuítas brasileiros, o artigo do vaticanista Andrés Beltramo, La crisis de los jesuitas (latinoamericanos).

Não o fiz, contudo, para salientar a figura do cardeal Daniélou, cujo pensamento foi objeto de recente jornada de estudos na Pontificia Università della Santa Croce, em Roma, e de quem o vaticanista Sandro Magister publicou, há poucos dias, uma incrível entrevista, originalmente feita em 1972, mas que apresenta respostas, infelizmente atualíssimas, sobre as causas da decadência da vida religiosa.

Magister afirma que, na época, “a entrevista foi lida como uma acusação lançada contra a Companhia de Jesus”, e que o jesuíta Bruno Ribes, então diretor da revista Études, mostrou-se como um dos mais ativos em destruir a reputação de Daniélou.

À parte essas questões, a corajosa entrevista fala por si mesma (em espanhol, italiano, inglês e francês). A seguir, alguns dos melhores trechos:

Penso que há, atualmente, uma crise muito grave da vida religiosa e que não se deve falar de renovação, mas, sim, de decadência. [...] Esta crise se manifesta em todas as esferas. Os ensinamentos evangélicos já não são considerados como consagração a Deus, mas são vistos numa perspectiva sociológica e psicológica. Preocupamo-nos em não apresentar uma fachada burguesa, mas, no plano individual, não se pratica a pobreza. A dinâmica de grupo substitui a obediência religiosa; com o pretexto de reagir contra o formalismo, abandona-se toda a vida de oração segundo as Regras [...].

A fonte essencial dessa crise é uma falsa interpretação do Vaticano II. As diretivas do Concílio eram claríssimas: maior fidelidade dos religiosos e religiosas às exigências do Evangelho, expressadas nas Constituições de cada instituto e, ao mesmo tempo, uma adaptação das modalidades dessas Constituições às condições da vida moderna. [...] Mas, em muitos casos, as diretivas do Vaticano II são substituídas por ideologias errôneas, colocadas em circulação por revistas, congressos e teólogos. Entre esses erros, podemos mencionar:

– A secularização. O Vaticano II declarou que os valores humanos devem ser levados a sério. Jamais disse que devemos ingressar num mundo secularizado, no sentido de que a dimensão religiosa já não haverá de estar presente na civilização; e é em nome de uma falsa secularização que religiosos e religiosas renunciam aos seus hábitos, abandonam suas obras para inserir-se em instituições seculares, substituindo a adoração a Deus por atividades sociais e políticas. Entre outras coisas, vão na contramão no que se refere à necessidade de espiritualidade que se manifesta no mundo de hoje.

– Uma falsa concepção de liberdade que leva consigo a desvalorização das Constituições e Regras, e exalta a espontaneidade e a improvisação. Isto é tanto mais absurdo quanto a sociedade ocidental sofre atualmente de uma ausência de disciplina da liberdade.

– Uma concepção errônea da mutação do homem e da Igreja. Ainda quando os contextos mudam, os elementos constitutivos do homem e da Igreja são permanentes [...].

Como afirmei acima, a entrevista tem incrível e triste atualidade. É como se o cardeal Daniélou tivesse acabado de falar à Rádio Vaticano. E torna-se impossível, depois de ler sua íntegra, não retornar aos textos de Andrés Beltramo [La crisis de los jesuitas (latinoamericanos) e Más de jesuitas latinoamericanos (impresentables)] ou às afirmações que fiz em meu post. E que repito: Não, não se trata de uma crise eventual, infelizmente. Trata-se, na verdade, de nítida ruptura, de escancarado desejo de insubordinação, de um patente movimento de secularização e laxismo – que, pelo visto, teve início há várias décadas.

maio 15, 2012

Quais seus desejos ou sentimentos agora?

O horizonte do homem contemporâneo está limitado, em muitos casos, por um novo tipo de xamanismo. Os teólogos secularistas, os novíssimos gurus, a vanguarda dos cientistas, pensadores e médicos politicamente corretos, os escritores de autoajuda, a esquerda que recupera filosofias, símbolos e cultos pagãos: todos dançam nus, noite após noite, em torno de uma imensa fogueira, embriagados por algum tipo de chá, sonhando que copulam com golfinhos, ninfas, sátiros... São personagens de um vasto painel naïf, pueris em suas cantigas de roda, em seu enaltecimento do corpo, em seus rituais dionisíacos, em sua crença de que vivem além do bem e do mal, enquanto o mundo segue uma trajetória nada inocente. Lembram Nietzsche dando entrada no manicômio de Jena: fazem grandes reverências, andam de forma majestática, com o olhar preso ao teto, e agradecem pela “magnífica acolhida”. As diversas formas de “amor a Gaia” representam uma alucinação coletiva, um retorno ao que existe de mais primitivo. A esperança foi acorrentada ao transitório por esses ilusionistas, seguidores tardios de Franz Mesmer. E eles prometem, solenemente, o mais nobre dos fins ao homem de hoje, quando lhe perguntarão, cheios de ingênua arrogância: “M. Valdemar, can you explain to us what are your feelings or wishes now?”.

maio 02, 2012

A crise dos jesuítas na América Latina


Em seu texto de hoje, o vaticanista Andrés Beltramo fala sobre a crise vivida pelos jesuítas latino-americanos. Não, não se trata de uma crise eventual, infelizmente. Trata-se, na verdade, de nítida ruptura, de escancarado desejo de insubordinação, de um patente movimento de secularização e laxismo que congrega parcela significativa da Companhia de Jesus, ordem que já foi conhecida por sua absoluta fidelidade ao Papa.

As denúncias apresentadas por Beltramo, contudo, ainda que gravíssimas, revelam apenas parte do declínio moral, filosófico e teológico vivido pelos jesuítas latino-americanos. Veja-se, por exemplo, no Brasil, o caso do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, cisto de filosofia marxista e projeto revolucionário que defende, abertamente, o que de mais radical há na Teologia da Libertação. Os jesuítas ali reunidos são, inclusive, anacrônicos – comprova-o o slogan de 1968 que serve como epígrafe e eixo estratégico do IHU: “Arrisca teus passos por caminhos pelos quais ninguém passou; arrisca tua cabeça pensando o que ninguém pensou”.

Sob o romantismo passadista dessa frase de efeito, esconde-se o esquerdismo e cultua-se, em nome da liberdade de pensamento, a vocação de afrontar o Magistério da Igreja e a Santa Tradição, tarefa que os jesuítas ali reunidos desempenham incansável e cotidianamente, amparados pelos superiores coniventes e por um episcopado dividido entre a tolerância excessiva – agradavelmente disfarçada de indulgência evangélica – e a timidez.

Agora mesmo prepara-se ali um Congresso Continental de Teologia, a ser realizado em outubro deste ano, cujo nome, no entanto, é deixado propositalmente incompleto, para camuflar o seu real objetivo: cultuar a Teologia da Libertação – é o que qualquer inteligência de média capacidade pode concluir dos textos que apresentam o evento.

Os jesuítas da Unisinos dão, assim, mais um passo no anelado projeto – deles e de parte dos nossos bispos – de desligar a Igreja latino-americana de Roma; de erigir a Teologia da Libertação à condição de pensamento hegemônico; de pensar e agir sem qualquer colegialidade – ou melhor, de construir uma falsa colegialidade, na qual as conferências episcopais passariam a falar ex cathedra e o Papa não seria o sucessor de Pedro, mas apenas um mero adereço.

Parte das consequências desse tipo de comportamento se manifesta na confusão moral, na achincalhação teológica defendida pelo jesuíta chileno Pedro Labrín, analisada com destemor por Andrés Beltramo. Há muito mais, contudo. A teologia defendida pelos jesuítas, incluindo os da Unisinos, é a grande arma de guerra que, nos últimos anos, destruiu a liturgia em centenas de nossas paróquias, transformando a celebração do Sacrifício de Jesus Cristo em festinhas de confraternização, reuniões sindicais ou encontros para se cantar, sapatear e saracotear ao ritmo de hinos protestantes ou canções que se assemelham a marchinhas de Carnaval.

Número significativo de jesuítas latino-americanos especializou-se em cumprir apenas a primeira parte da recomendação, apócrifa, de Inácio de Loyola – “Confia em Deus mas age como se o resultado de teus empreendimentos só dependesse de ti e não de Deus” –, preferindo esquecer o restante: “Entretanto, mesmo dedicando todos os teus cuidados a tais empreendimentos, age como se tua ação devesse ser nula e como se Deus devesse tudo fazer”.    

Sob a inspiração do Instituto Humanitas Unisinos – e de outros centros de teologia secularista –, os “padres de passeata” de Nelson Rodrigues se transformaram em perigosos neopelagianos, padres de chinelo, anelzinho de plástico imitando osso, rotas calças jeans e missas-relâmpago, nas quais a consagração é somente um elemento fortuito, superado pela “alegria de estar entre irmãos”. Eles certamente se acreditam os novos Franciscos de Assis, os novíssimos Inácios de Loyola, mas não passam de corruptelas do que a História da Igreja produziu de mais nobre e mais puro. Sob a bem cuidada imagem de vanguardistas, carregam o estandarte da decadência teológica, de uma teologia que não consegue erguer o olhar acima do próprio umbigo.

abril 28, 2012

A ditadura do pensamento débil e a Igreja


“Sua mera existência [da Igreja Católica] como ‘metarrelato’, como visão densa do mundo, que utiliza ainda um conceito forte de verdade objetiva, resulta intolerável numa atmosfera intelectual presidida pelo pensamento débil, pela desconstrução pós-moderna, pela ‘ditadura do relativismo’ e pela convicção de que a crença em absolutos é sinônimo de fundamentalismo e intolerância.”

(in Nueva izquierda y Cristianismo, de Francisco José Contreras y Diego Poole)

abril 13, 2012

É pouco, CNBB, muito pouco

Não basta uma Nota Oficial – tímida, burocrática e meramente protocolar –, senhores bispos. Não basta uma Nota Oficial que ninguém lê. Queremos ouvi-los clamando nos altares, denunciando em alta e indignada voz nas praças públicas, nos jornais, nas rádios, na Internet. Queremos ver, ouvir e participar da indignação dos senhores e de toda a Igreja. Queremos nos sentir verdadeiramente amparados e defendidos por nossos pastores. Queremos vê-los e ouvi-los agindo, à luz do dia, segundo a exortação de São Paulo: “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12, 2). Façam mais pela verdade, senhores bispos! Façam mais pela vida! 

setembro 08, 2011

A bondade é mais interessante que a maldade

Uma frase da escritora Anne Rice, publicada por certo amigo no Facebook, revela, de maneira indireta, qual o senso comum destes dias, inclusive entre escritores. Para Rice, “é triste que não possamos fazer a bondade ser tão interessante quanto a maldade”. A autora, conhecida por suas tramas de vampirismo – e que teria voltado à Igreja Católica em 1998 –, mostra-se melancólica em relação ao fato de a temática do bem não produzir tantos adeptos quanto a literatura que narra o mal. Teríamos nos acostumado à maldade? E estaríamos realmente impedidos de transformar a bondade num tema capaz de despertar interesse?

Esse é o problema da rápida reflexão de Anne Rice: ela só exprime o senso comum. Pois, como respondi a meu amigo, a bondade é mais interessante que a maldade. A verdade parece ser o contrário apenas porque somos massacrados – do noticiário à literatura – por todas as formas de mal, dia após dia. Nossa cultura niilista, devota do pessimismo, insiste em nos apresentar o mal como a regra de todos os homens – e exatamente por esse motivo nada, absolutamente nada, pode ser mais entediante do que a maldade.

Se o homem contemporâneo é descrito por muitos como a figura do egoísmo, do vazio e da frivolidade, se a vilania tornou-se vitoriosa na ficção, em parte da poesia e, se acreditarmos no que diz a mídia, também na realidade, isto se deve ao cinismo que a cultura erudita do século XX elevou à categoria de deus. Mas se dermos ao homem enfadado pela maldade um só gesto, uma só página de bondade, ele se sentirá renovado, quando não desorientado, pois a bondade – neste mundo que aparentemente cultua o mal – inquieta, perturba, estimula.

É preciso, portanto, abandonar o senso comum dos nossos intelectuais, deixar de ser nietzschianos de ouvido, virar no avesso a frase de Anne Rice: o mal apenas parece mais interessante que a bondade – e por uma só razão: ele é amplamente difundido, propagandeado. A intelligentsia e os formadores de opinião colocaram o homem no atoleiro moral – e não querem que ele saia daí. Parafraseando Rice, é triste que nossos escritores não tenham coragem para mostrar a verdade: que só o bem é verdadeiramente interessante – e que nobreza, generosidade, honradez e benevolência são as únicas forças capazes de libertar o homem do tédio em que pretendem aprisioná-lo.

junho 30, 2011

Ultraje e manipulação ideológica

Foi um ultraje, sim. Ofensa gravíssima. Crime de vilipêndio, que pretende rebaixar e perverter a mensagem evangélica. Como afirmou o cardeal Odilo Scherer, foram “provocações e ofensas ostensivas à comunidade católica e cristã”. Mas tratou-se, também, de um gesto premeditado de manipulação ideológica – construído com o apoio da mídia, do governo, de partidos políticos. Verdadeiro acinte.

E tudo se torna ainda mais grave – como bem aponta o Voto Católico – pelo fato de a Parada do Orgulho Lésbico, Gay, Bissexual e Transgênero de São Paulo receber financiamento público, especialmente dos ministérios da Cultura e da Saúde, da Petrobras, da Caixa Econômica Federal e da Prefeitura de São Paulo.

Contra todos esses crimes, nós, cidadãos que nos sentimos ultrajados e ofendidos, devemos:

1. Apresentar queixas às entidades governamentais que financiaram o evento;


3. Entrar em contato com as Procuradorias Regionais dos Direitos do Cidadão, para denunciar crime de ofensa ao sentimento religioso.

maio 20, 2011

“A ideologia do homossexualismo é uma insídia contra a legítima autonomia do pensamento”

O vídeo colocado abaixo (publicado nos blogs Contos do Átrio e O possível e o Extraordinário) é uma pequena mas revoltante amostra do que o governo e parte do Congresso Nacional preparam, sob o comando da senadora Marta Suplicy, para este país: uma lei – o PL-122 – cujo objetivo é amordaçar a nação. Vejam como a senadora se coloca acima das instituições, pretendendo conceder, parcialmente, num gesto magnânimo, o que já é um direito inatacável e incontestável de todos os cidadãos: plena liberdade de expressão. Direito que será restringido, limitado pelo PL-122:


A prática de amordaçar os cidadãos, comum nos governos esquerdistas, hábeis em silenciar os que deles discordam – usando inclusive de variadas formas de violência –, ressurge, no caso do PL-122, apoiada numa nova ideologia: a ideologia do homossexualismo. Para falar dela, prefiro dar voz a uma das mais ilustres figuras da Igreja Católica: o cardeal Giacomo Biffi, que foi arcebispo de Bolonha de 1983 a 2003. Vejam o que ele afirma em seu livro de memórias, Memorie e digressioni de un italiano cardinale:

“A ideologia do homossexualismo – como se compreende, com frequência, as ideologias quando se tornam agressivas e chegam a ser politicamente vencedoras – converte-se em uma insídia contra a nossa legítima autonomia de pensamento: quem não compartilha dela corre o risco da condenação em uma espécie de marginalização social e cultural.

Os ataques à liberdade de expressão começam pela linguagem. Quem não se resigna a aceitar a ‘homofilia’ (quer dizer, o apreço teórico às relações homossexuais), é acusado de ‘homofobia’ (etimologicamente, o medo da homossexualidade). Deve ficar bem claro: quem se manteve forte, iluminado pela luz da palavra inspirada e vive no ‘temor de Deus’ não teme nada, exceto a estupidez, frente à qual, como dizia Bonhoeffer, estamos indefesos. [...]

O problema substancial que se coloca é este: ainda se permite, em nossos dias, sermos discípulos fiéis e coerentes com os ensinamentos de Cristo (que há milênios têm inspirado e enriquecido toda a civilização ocidental) ou devemos nos preparar para uma nova forma de perseguição, promovida por homossexuais facciosos, por seus cúmplices ideológicos e também por aqueles que deveriam ter o dever de defender a liberdade intelectual de todos, inclusive dos cristãos?”.

E o cardeal também chama nossa atenção às Sagradas Escrituras:
 
“O que São Paulo deixava claro como ocorrido no mundo greco-romano [o cardeal se refere à Carta aos Romanos, Capítulo 1, versículos 21 a 32] mostra-se profeticamente correspondente ao que se verifica na cultura ocidental nos últimos séculos. A exclusão do Criador – até se proclamar, grotescamente, há algumas décadas, a ‘morte de Deus’ – teve como consequência (e quase como um castigo intrínseco) a propagação de uma visão sexual aberrante, desconhecida (quanto à sua arrogância) nas épocas passadas”.