outubro 03, 2013

A saudável arte do cachimbo – Parte 2

Capa
Acabo de adquirir o livro História do Cachimbo, publicado em 1970. Segundo informações que recebi de um membro da Confraria dos Amigos do Cachimbo, Cláudio Carvalho, “tecnicamente foi o primeiro livro a tratar do tema no Brasil”. É uma brochura de poucas páginas, sem autoria, mas agradavelmente ilustrada, contendo informações básicas sobre a história do cachimbo, a arte de fumar e outras curiosidades.

Dois pontos chamaram minha atenção: primeiro, o autor desconhecido não partilha da tese de que existe a “maldição dos cachimbeiros”, segundo a qual estaríamos condenados a não sentir o aroma dos tabacos enquanto fumamos. Quando fui informado da “maldição” fiquei perplexo, pois, nestes poucos meses em que me dedico ao cachimbo, sempre senti, ainda que momentaneamente e em diferentes escalas, o aroma dos meus tabacos. Agora, neste livro, vejo que não estou só. O autor afirma, de maneira clara – e quase lírica:

“O homem tem cinco sentidos. O fumante inteligente precisa de todos os cinco para fruir plenamente de um cachimbo:
o paladar – porque ele saboreia a fumaça do tabaco na língua;
o olfato – porque ele aspira o perfume pelo nariz;
a visão – porque o cachimbo e as tênues nuvens de fumaça encantam os olhos;
o tato – porque é gostoso envolver o cachimbo com a mão e apalpar o fornilho;
a audição – porque o suave crepitar da brasa é música para o ouvido do fumante”.

Como vemos pelo texto desta página, em 1970 o Brasil ainda desconhecia "a ira dos intolerantes"
O livro termina oferecendo ao leitor algumas informações curiosas sobre fumantes célebres, das quais selecionei as que mais me agradaram exatamente por sua singularidade:

“William Thackeray [importante romancista inglês do século XIX] certa vez escreveu: ‘O cachimbo faz sair a sabedoria da boca do filósofo e fecha a boca do tolo’.”

“Thomas Yewat, um grande industrial de Ohio, quebrou por infelicidade um de seus cachimbos prediletos. Por causa disto durante três meses vestiu traje de luto.”

E a última, carregada de delicioso humor:

“São por demais conhecidas, mas tão espirituosas que merecem ser repetidas, as palavras do célebre caricaturista Paul Gavarni, dirigidas a um amigo, pouco antes de morrer: ‘Deixo-te meu cachimbo e minha mulher; cuide bem do cachimbo’.
Uma das ilustrações de Paul Gavarni

3 comentários:

André Colombo Pimenta disse...

Muito legal! Quem sabe um dia me aventuro?!

salomao campina disse...

Muito interessante, o cachimbo é um símbolo de filosofia e de inteligência. Excelente matéria Rodrigo Gurgel.

Anônimo disse...

‘Deixo-te meu cachimbo e minha mulher; cuide bem do cachimbo’.

KKKKKKKKKK... é demais!!!

Faz 1 ano que penso nessa prática...