maio 23, 2012

Romano Guardini e a angústia do homem moderno


“[…] A angústia do homem da Idade Moderna, que é diferente da do homem medieval. Este também sentia angústia, porque o senti-la é algo que pertence ao homem enquanto tal, e o homem a sentirá sempre, ainda quando pareça que a ciência e a técnica podem lhe dar uma segurança ainda maior. No entanto, a causa e o caráter da angústia são diferentes em cada época. A angústia do homem medieval nascia, sem dúvida, do peso da limitação cósmica frente ao ímpeto expansivo da alma, que encontrava a calma nesse transcender constante a um mundo superior. A angústia da Idade Moderna, ao contrário, procede, não em pequena medida, da consciência de não ter nem um só ponto de apoio simbólico, nem refúgio que lhe ofereça seguridade imediata; da experiência, renovada constantemente, de que o mundo não proporciona ao homem um lugar de existência que satisfaça, de modo convincente, as exigências do seu espírito.”

Romano Guardini, El ocaso de la Edad Moderna

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