agosto 18, 2009

Rui Tavares e sua crítica ao “calvinismo literário”

Foi no simpático blog do Senhor Palomar que pude ler a crônica de Rui Tavares, “Bom! Bonito! Barato!”, agora disponível no blog do autor. Não deixem a leitura para depois. A seguir, um aperitivo desse texto suave, inteligente. Ele me me fez considerar uma pena que, em português, não tenhamos, no início das frases exclamativas, o sinal invertido dos espanhóis:

O texto escrito precisa de palavras curtas e palavras compridas, precisa de frases breves e de frases longas, precisa de linguagem concreta e de linguagem metafórica. O texto precisa de ritmo e esse ritmo só se consegue pela utilização de elementos diferenciados; mas o ritmo de um texto literário não é como um ritmo musical — ele não obedece sempre ao mesmo tempo, não cai em compassos, não é metronímico — e tem de ir sendo calibrado à mão em cada parágrafo, uns mais lentos, outros mais rápidos, outros que se desdobram em subordinadas. E também: frases sem verbos. O ritmo do texto não é tão regular nem sincopado como o da peça musical porque a sua busca é a da fluência. Fluência como a das melodias não musicais nas suas modulações sucessivas — como nos cursos de água, na brisa e no vento, nas chuvadas.

2 comentários:

Eliana Mara Chiossi disse...

Seguidora, a partir de agora, e fervorosa!


Beijos da outra margem do Atlântico!

Rodrigo Gurgel disse...

Obrigado, Eliana! É um prazer tê-la aqui.
Grande abraço!