janeiro 14, 2014

A única sabedoria a que podemos aspirar — T. S. Eliot

A parte final da entrevista de T. S. Eliot a Donald Hall, publicada na Paris Review (1959), é uma rara manifestação de humildade.

Hall relembra a Eliot o que este dissera dezessete anos antes: “Nenhum poeta honesto jamais poderá ter certeza absoluta do valor permanente daquilo que escreveu. Ele pode ter desperdiçado seu tempo e complicado sua vida por nada”. E pergunta: “Sente a mesma coisa agora, aos setenta anos?”. Eliot responde: “Pode ser que haja poetas honestos que tenham certeza. Eu não tenho”.

Famoso graças ao Prêmio Nobel (1948), Eliot mantinha o mesmo pensamento que deixara gravado no longo poema “East Coker”, a segunda parte de Four Quartets, publicada em 1940:

The only wisdom we can hope to acquire
Is the wisdom of humility: humility is endless.

A única sabedoria a que podemos aspirar
É a sabedoria da humildade: a humildade é infinita.

3 comentários:

mucio abreu ferreira de abreu jr. disse...

Infinita sim. E quando conquistada, eterna...

Leandro Guimarães Faria Corcete DUTRA disse...

Tem essa entrevista disponível em linha?

Rodrigo Gurgel disse...

Caro Leandro, a entrevista está aqui: http://www.theparisreview.org/interviews/4738/the-art-of-poetry-no-1-t-s-eliot
Forte abraço!