junho 22, 2013

Reflexões sobre a sinceridade (fragmentos de um diário)

Neste final de sábado, depois de muito trabalho, leio Roberto Alvim Corrêa. Editor – na França, publicou Mauriac, Maritain e muitos outros; no Brasil, atuou como um dos coordenadores, na Editora Agir, da famosa Coleção Nossos Clássicos –, além de ensaísta e crítico literário (vale a pena conhecer Anteu e a crítica, de 1948, e O mito de Prometeu, lançado em 1951), foi homenageado na Revista Tempo Brasileiro, nº 55, de 1978, da qual retirei estes excertos do seu Diário, comoventes exercícios de sinceridade:

Já me aconteceu acreditar ser sincero, e, mais tarde verificar o ter sido muito menos do que pensava.

“Procuro agir de acordo com meus pensamentos”. Ótimo. Mas se meus pensamentos não empenham aquele que sou? Além do mais carrego em mim tendências contrárias. Quando, portanto, sou sincero? Nas horas de orgulho ou de humildade, de covardia ou de intrepidez, de desespero ou euforia, de dúvida ou fé, de conformismo ou revolta, de fraqueza ou força? Pode-se falar em sinceridades sucessivas?

A sinceridade, essa desconhecida.

Apesar do seu nome incomparável, Lúcifer perdeu o desejo da luz. E sem esse desejo, como ser sincero?

Essa frase de Mauriac, segundo os dias me abala ou me conforta: “Na origem de um santo há, não raro, um vício jugulado”.

Em paz comigo mesmo, eu me incomodaria menos com sinceridade. No Paraíso, a gente deve ser sincera como se respira.

Sinceros só os santos, que vivem para amar integralmente.

Desde que me conheço, para ser aquele que precisava ser, eu te procurei, ó sinceridade, minha frágil mas indispensável companheira, embora em teu nome eu tenha (involuntariamente, claro) praticados muitos erros e injustiças, enunciado coisas inverídicas. Tantas sinceridades demasiadamente relativas, duvidosas, inglórias nos prejudicaram, a ti e a mim, fizeram com que te escondesses, e eu não conseguisse mais te identificar.
 
Nem sempre me reconheço nestas páginas, mas erradamente. É com aquilo que escrevemos sem o saber que nos parecemos.

4 comentários:

Anônimo disse...

O q tem a dizer do sobre Jonathan Franzen, só se fala dele na faculdade, tive vontade de ler. Vc indicaria ?

andressa disse...

Amei o blog!

andressa disse...

:)

andressa disse...

:)