abril 13, 2013

“A impossibilidade é a porta para o sobrenatural. Só podemos bater. É outro quem a abre.” – Simone Weil

Simone Adolphine Weil (1909-1943)

9 comentários:

Ruan gui disse...

Eu tenho apenas 18 anos e me interesso muito pela literatura,história,religiões,filosofia etc.Tenho uma dúvida que há anos eu não consigo resolver: por onde devo começar os estudos literários?

Uma resposta remota e mal feita a qual eu consegui chegar,depois de ler muito Mortimer Adler e artigos do Olavo de Carvalho sobre educação,foi que devo começar do começo ou seja,primeiramente estudar toda a literatura grega e romana.Entretanto aí tem um problema para mim: para ler Homero é necessário o conhecimento perfeito de um dialeto obsoleto já na Antiguidade,de uma língua morta,é necessário ter o hábito de sentir uma métrica que tem hoje outro ritmo,a capacidade de entender o sentido autêntico de uma linguagem metafórica.
Initium dimidium facit, disseram os romanos; o início é metade da façanha.Por onde eu devo começar?

Lembre que quem aqui lhe escreve,é um jovem que estudou em escola pública,e portanto,sofreu incansavelmente com a decadência do ensino brasileiro e também com o criminoso MEC.
O entendimento da natureza humana foi em mim esquecido,a par com a perda de um sentido do sagrado e de uma ligação com o Princípio Divino. Estes aspectos essenciais para o bem neste mundo e para o benefício dos seus fins últimos nunca foram comunicados nem compreendidos por mim.

Ao longo do acaminho que eu quero trilhar,anseio subir a montanha da sabedoria e alcançar o seu cume,a Verdade,uma das dificuldades que surge com maior frequência é a constante tendência para a dispersão.Esta tendência pode surgir manifestada nos próprios hábitos de leitura e pela preferência dada a obras de grande complexidade,muitas vezes sem grande profundidade,nas quais o desafio intelectual que é a sua compreensão e a informação obtida pela sua leitura,se confundem com aquilo que verdadeiramente importa.Tornamo-nos numa espécie de idólatras do conhecimento.É bem sabido que conhecimento não é sabedoria;e é esta última é o objetivo da minha caminhada

Rodrigo Gurgel disse...

Não se prenda a purismos, meu caro. Faça a vida mais fácil. Há boas traduções de alguns clássicos. Há pouco, por exemplo, a Penguin/Cia. das Letras lançou uma ótima tradução da "Odisseia". Siga um bom guia, como Carpeaux, em "História da Literatura Ocidental", e vá em frente. Leia o que encontrar em português. Ao mesmo tempo, dedique-se a aprender uma língua estrangeira. O espanhol, por exemplo, língua simples e bela, permitirá que você leia um número significativo de clássicos, pois, em termos editoriais, o mundo hispânico é muito mais evoluído que nós. Bons estudos!

Anônimo disse...

E a tradução da Odisseia feita por Carlos Alberto Nunes? É boa?

Gio Fabiano.

Rodrigo Gurgel disse...

Para esclarecimentos sobre as traduções de Homero, recomendo a leitura de "Duas novas traduções de Homero", Bruno Gripp, Revista Dicta&Contradicta, número 9, Julho 2012.

Anônimo disse...

Obrigado Rodrigo.

Li um trecho da Odisseia disponibilizada no site da Penguin/Cia. das letras e a leitura me agradou muito. Ademais, o preço está bom, visto que se trata de uma obra extensa. Vou aproveitar e comprar a Ilíada também.

Abraço,

Gio Fabiano.

Rinaldo Oliveira Araújo de faria disse...

Cavalheiros,


bom dia, tudo bem? Creio que além do livro de Mortimer J. Adler (Como Ler Livros), sugestão do Olavo de Carvalho, pode-se facilmente agregar a leitura do livro "A Vida Intelectual", de A. D. Sertillanges, o "Trivium", da Irmã Miriam Joseph, e da "Alvorada à Decadência", de Jacques Barzun. Aliás, este último revela inúmeras sugestões de leitura, classificando-as de mais relevante a menos relevante. Motivado pela discussão iniciei a leitura da História da Literatura Ocidental, há muito comprado e somente agora iniciada a leitura. A edição do Senado vem bem a calhar. Parabéns pelas discussões e mãos à obra, ou melhor dizendo, olhos e mente voltados para o intenso trabalho de estudar e buscar a melhor compreensão de quase tudo!

SPACCA É... disse...

gostaria de comentar a mensagem do Ruan. Tenho 49 anos, também aluno do COF, e estou agora aprendendo grego antigo. Estou no começo, ainda nas primeiras declinações e tempos verbais, e já dá para sentir algum gosto do grego no original, amparado por traduções e por sites que disponibilizam textos originais com tradução e análises gramaticais. Há muito apoio na internet, tanto em estudos dos clássicos greco-romanos como dos estudos bíblicos.

Não é uma língua morta, não! Há diferenças de dialeto, vocabulário e sotaques, mas com o conhecimento do arcaico dá para pegar alguma coisa da Wikipedia em grego, ou de gibis modernos. No Youtube pode-se ouvir evangelhos inteiros em koiné tanto na pronúncia antiga como no grego atual.

É um prazer tentar ler e ouvir na língua original, claro. Mas em qualquer leitura, o que se forma no espirito são "coisas" da realidade, situações, imagens, intenções etc. E isso é transmitido nas traduções.
É importante que elas sejam precisas no que elas podem ser, ou seja, na identificação correta dos autores da ação, quem fez o quê e a quem, por que modo etc. O resto (a musicalidade e o sabor sensorial das palavras) depende das possibilidades do idioma de chegada e do talento artístico do tradutor, pois nem sempre é possível encontrar coincidência entre forma e conteúdo.

Espero poder dizer daqui a um ano que persisti no estudo. Está sendo mais fácil o grego do que o latim, língua compacta, com a vantagem de contar com falantes vivos de grego em situação de gente real. Isso injeta alguma vida no estudo das línguas "mortas".

No fim, uma língua ajuda a outra.
E como disse o professor Rodrigo, não é condição para desfrutar os clássicos, é um prazer que estou conhecendo agora, e que teve início nos Asterix e Lobatos que lia quatro décadas atrás...

um abraço, joão spacca

Rodrigo Gurgel disse...

Grande Spacca! É um prazer tê-lo aqui, meu caro! Logo, logo envio-lhe minha resposta ao seu e-mail! Forte abraço!

Rodrigo Gurgel disse...

Prezado Rinaldo: o caminho é esse -- ânimo, disposição, amor à realidade e ao saber, ao conhecimento! Obrigado por sua presença aqui no blog. Forte abraço e bons estudos!