fevereiro 06, 2013

Perfumaria bilaquiana

No Rascunho deste mês, analiso as crônicas de Olavo Bilac, nas quais estilo pomposo e imagística pobre somam-se para criar textinhos maçantes, repletos de chavões. O ensaio completo pode ser lido aqui.

5 comentários:

dspouso disse...

Contribui para desmistificar toda uma cultura repetida como uma tabuada.

dspouso disse...

Gostaria de ler algo sobre Fabrício Carpinejar e do seu pai Carlos Nejar. Após assistir a uma entrevista de Carpinejar no Provocações tive minhas dúvidas se realmente o moço realmente acrescenta algo. Creio que não. Como também sou blogueiro (www.palavraortodoxa.blogspot.com.br) e o adicionei para receber as atualizações, não vejo mais do que exibicionismo barato em forma de combinação psicodélica de signos linguísticos que amiúde não ultrapassam a fronteira do lamento freudiano e do heroísmo de quem jamais lutaria nada. Estimado Rodrigo Gurgel, existe algum texto na linha desse que o senhor escreveu sobre a cronica bilaquiana, mas que remetesse o leitor brasileiro à uma crítica de conjunto tanto da Academia Brasileira de Letras como do "cânone" literário brasileiro? Muito obrigado. Dario

Rodrigo Gurgel disse...

Prezado Dario: meu ensaio sobre as crônicas do Bilac faz parte de uma série que venho escrevendo, desde 2010, no jornal Rascunho, e cujo objetivo é exatamente rever o cânone literário brasileiro (especificamente no que se refere à prosa). Os ensaios referentes ao século 19 foram reunidos no livro "Muita retórica - Pouca literatura (de Alencar a Graça Aranha)", que publiquei em 2012. Um abraço!

SPACCA É... disse...

olá, Rodrigo,
poxa, é triste admitir, os exemplos que você dá são, de fato, um palavrório inflado e medíocre.

Tive a curiosidade de procurar o artigo que você apenas menciona, o "Flaubert", que na verdade são dois comentários sem ligação entre si (no primeiro, vemos a ingenuidade de Bilac ao querer que os gênios sejam geniais até no resfriado e tiritando de frio; no segundo, a constatação de que o povo, no Rio ou em Rouen, não dá a devida consideração aos gênios).
Talvez, se o Bilac tivesse amarrado os dois períodos desconexos com uma "chave de ouro" (afinal, é um sonetista) irônica, podería ter concluído que a culpa era dos literatos franceses, que perdiam a chance de falar em público coisa mais interessante do que "Sale temps!". Pelo menos a crônica formaria um raciocínio e teria mais unidade.

E quanto à poesia de Bilac, qual a sua opinião?

Aprendi a gostar dele recentemente, e li mais de uma vez suas descrições muito vívidas de rios caudalosos e vasos gregos, de grande efeito pictórico - talvez a exigência da métrica exata e da rima rara obrigou-o a ser mais enxuto e a procurar soluções mais criativas do que ele empregou na prosa. Além disso, o soneto obriga a sucessivas lapidações e revisões, e na prosa ele pode ter sido simplesmente desleixado.

um abraço, sp

Rodrigo Gurgel disse...

Spacca, meu caro: a poesia do Bilac é outra história, bem diferente. Olha este soneto, um dos mais belos da língua portuguesa, paisagem ideal pra você desenhar:

Vila Rica

O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;
Sangram, em laivos de ouro, as minas, que ambição
Na torturada entranha abriu da terra nobre:
E cada cicatriz brilha como um brasão.

O ângelus plange ao longe em doloroso dobre,
O último ouro de sol morre na cerração.
E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,
O crepúsculo cai como uma extrema-unção.

Agora, para além do cerro, o céu parece
Feito de um ouro ancião, que o tempo enegreceu...
A neblina, roçando o chão, cicia, em prece,

Como uma procissão espectral que se move...
Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu...
Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.

Forte abraço!