A obra de arte
Cada verdadeira obra de arte é a planta
do único templo que existe na Terra.
Qual voz o escritor seguirá?
Para aquele que produz não há nenhuma
prova mais séria do que procurar reconhecer se o que, de um passo para outro, o
coage e previne é o seu verdadeiro gênio ou a voz pusilânime das suas
influências: se, ao adquirir a forma, obedece ao que nele há de mais elevado ou
de mais baixo.
O absurdo inominável
A função da obra poética é proceder à
depuração, estruturação, articulação do material da vida. Na vida reina o
absurdo abominável, um furor horrível da matéria – por hereditariedade, coação
interior, estupidez, maldade, vileza que no íntimo se radica –, no domínio
espiritual uma desordem e inconsistência até ao inacreditável – este é o
estábulo de Áugias que tem de ser limpo continuamente e quer ser transformado
num templo.
Ir além de si próprio
As pessoas exigem que uma obra poética
fale com elas, lhes diga qualquer coisa, com elas se familiarize. Porém, as
obras de arte superiores não fazem isso, assim como a Natureza também não se
familiariza com as pessoas; a obra está aí e leva o homem para além de si
próprio – se ele estiver concentrado e pronto para isso.
Obedecer a que público?
O
paradoxo da existência literária é que o público da época deseja uma
alimentação diferente da que reclama o público sobreepocal.
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