O texto de Dolhnikoff,
que merece leitura atenta, pode ser sintetizado neste parágrafo acertadíssimo: “A
incapacidade dos escritores brasileiros de criarem livros ao mesmo tempo bons e
prazerosos é apenas a incapacidade dos escritores brasileiros de criarem livros
ao mesmo tempo prazerosos e bons. Eles são, como regra, chatos, porque, como
regra, são pretensiosos. E são pretensiosos por ignorarem o público leitor. Se
não o ignorassem, não poderiam ser chatos, sob o risco do fracasso. Cria-se assim
uma literatura satisfeita para ninguém, ou quase ninguém. Satisfeita talvez,
mas não satisfatória. A menos que se considere a criação literária um hobby, que, de fato, só interessa para
quem o pratica. Mas se se pretende algo além de um hobby, a literatura não pode satisfazer somente quem se dedica a
ela. O público tem de ser posto na equação. Ou nas equações. Pois há uma
simples e uma complexa”.
Denunciando uma
literatura que se pretende de vanguarda, mas que na verdade não passa de
literatura “autista”, o texto retoma, parcialmente, o que apontei há alguns
anos, no jornal Rascunho, no ensaio “Mazelas da narratofobia”: “Parcela dos escritores brasileiros contemporâneos sofre de
uma estranha patologia: escrevem não para satisfazer seus impulsos criativos,
mas, principalmente, para cumprir determinados preceitos. Dito de outra forma,
alguns escritores submetem a criatividade às regras difundidas por supostos
expertos, ou, pior, ao gosto das panelinhas. A escrita se afasta, assim, do seu
verdadeiro caráter — o de exercício de comunicação —, transformando-se num
fetiche. A literatura produzida segundo tais critérios não é só exclusivista,
mas pedante e artificial, além de subserviente: nasce para agradar a uns
poucos, para corresponder àquelas teorias que certos literatos diluíram e
transformaram em receitas aparentemente infalíveis”.
As consequências dessa atitude subdesenvolvida – mas que é tratada como supostamente vanguardista – não se esgotam, repito, “na leitura obscura, forçosamente aflitiva. Nossos poucos leitores, ávidos por uma literatura que os conduza para longe da mesmice e da banalidade, encontram, nas livrarias, as seções de literatura brasileira abarrotadas de textos herméticos. É fatal, portanto, que sejam raptados para o mundo da subliteratura, tornando-se reféns dos romancinhos kardecistas e de outras tantas panaceias na forma de brochura”.
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