Obreiros somos – mestre, aprendizes, serventes –
e te construímos, ó grande nave altaneira.
Às vezes chega a nós um peregrino silente;
ei-lo que como um clarão cruza as nossas cem mentes
e trêmulo nos traz alguma nova maneira.
Galgamos andaimes que ao nosso passo estremecem;
maciços os martelos que nossas mãos sustêm;
isso até aflorar-nos a fronte uma hora que se
irisa e fulge como se de tudo soubesse:
como o vento vem do mar, é de ti que ela vem.
Ouve-se então um malhar de martelos inúmeros
que, golpe após golpe, pelas montanhas se expande.
Só te deixamos quando a noite cai e no escuro
podemos já ver-te os vagos contornos futuros.
Deus, como tu és grande.
Rainer Maria Rilke
(tradução de José Paulo Paes)
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