Julho 07, 2009

Lógica booleana

O programa lembra o antigo O céu é o limite. Em um cenário tosco, no qual predominam os tons de cinza, o escritor responde às questões formuladas pelo sorridente apresentador. A cada acerto, a linha de mercúrio do imenso termômetro, colocado no fundo do cenário, sobe. Mas o escritor sempre acerta. Sempre. Não sei se estou na platéia ou no conforto de minha casa, acompanhando pela tevê. Enquanto ouço as respostas, rio sozinho, pois a linguagem do escritor é absolutamente hermética – e chego à conclusão de que se assemelha a uma falsa lógica booleana. Quanto mais incompreensível a resposta, mais largo é o sorriso do apresentador, crescem ainda mais os aplausos. O escritor também sorri, mas de maneira perniciosa. Quantos milhões ele receberá?, pergunto-me, enquanto admiro a linha de mercúrio ascendente. Imagino as respostas tomando a forma dos balões das histórias em quadrinhos, e a idéia agrada-me por sua inesperada carga de ironia. Mas, no fundo, sinto-me desolado. Então acordo.

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